“Homem, conhece-te a ti mesmo.” (Injunção Délfica) “... o conhecimento de si mesmo permite adquirir a ciência, fim e razão de ser da vida, base de todo o real valor; e este poderio, elevando o homem laborioso que o pode adquirir, incita-o a ficar numa simplicidade modesta e nobre, virtude eminente dos espíritos superiores. “Se quereis conhecer a sabedoria, conhecei-vos bem a vós mesmos e conhecê-la-eis.” (Fulcanelli, As Mansões Filosofais, pág. 295)
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Egoísmo
sábado, 10 de julho de 2010
Amor, Medo e Entrega
"Sei o que você está pensando", declarou Delaney. "Acha que sou exigente demais, não é? Mas eu não acho que esteja pedindo demais. Não é que ela precise ser linda de morrer ou uma Ph.D."
"Você simplesmente precisa ter padrões", sugeri.
"Certo. Eu penso nisso como se fosse um pacote. Se o pacote como um todo está certo, os detalhes não são tão importantes assim."
"Isso se ela, seja quem for, gostar do seu pacote", observei. Delaney concordou. Ele era incrivelmente imune à ironia, e eu sabia que não era justo usá-la contra ele. Ele realmente queria se apaixonar - era a sua maior meta na vida - e já que Delaney tivera sucesso em todas suas demais metas, era frustrante ver como esta era difícil.
Certa vez, eu e ele fizemos residência juntos em Boston, onde ele fora criado numa família da classe trabalhadora, e mais tarde trabalhamos à noite na mesma unidade de emergência do subúrbio para conseguirmos pagar as contas.
Havia 15 anos que ele estabelecera sua prática cardiológica, e só agora, com quarenta e poucos anos, é que Delaney sentia-se seguro para procurar uma companheira. Era difícil para ele esconder como estava confuso sobre o que se passava em sua mente.
"Graças a Deus não sou um desses caras que está trocando a esposa de 30 anos por uma namorada de vinte e poucos anos", disse ele. "Para mim este é um novo começo. Estou otimista, sou paciente, mas acho..."
"O quê?"
Delaney desviou o olhar, com uma leve nuvem de dúvida no rosto. "Não sei. Talvez eu seja velho demais", murmurou.
"Ou exigente demais", respondi. "Uma garota de vinte e poucos anos não faz parte do pacote que está procurando? Seja honesto."
"Você já se apaixonou antes?", perguntei. "De verdade?"
Delaney pareceu surpreso, aparentemente sem pensar que nossa conversa tomaria um caráter tão pessoal; ele hesitou.
"Bem, não estou chegando do nada nessa coisa", declarou. "Já tive momentos realmente adoráveis, e muitas mulheres querem sair comigo."
"Escute, não precisamos ir a nenhum lugar que você não queira", falei calmamente. "Mas acho que está sentindo-se um pouco perdido." Ele enrijeceu-se, e pude ver que estava recuando internamente. Continuei: "Isso não foi uma acusação. É natural sentir-se perdido. Especialmente se você não está procurando nos lugares certos."
"Detesto os lugares onde vou", ele retrucou com raiva.
"Os bares? Todo mundo detesta esses lugares", retorqui. "Mas não foi isso que quis dizer. Você não está olhando dentro de si - o lugar onde ela está, seja ela quem for."
"Você está dizendo que eu tenho medo de me apaixonar?" ele perguntou. "Então por que estou querendo me apaixonar?
"Oh, não estou dizendo isso", repliquei. "Mas o amor e o medo muitas vezes se tocam, e pessoas como você, que realizaram coisas muito difíceis - conseguir pagar sua faculdade de medicina, abrir seu próprio consultório, conseguir dinheiro para expansão e novos empreendimentos - aprendem a tirar o medo do quadro. E não é só o medo - a dúvida, a confusão , o desespero, a desesperança - a maioria das fragilidades humanas, em suma. Manter suas fragilidades fora de seu campo de visão torna-se extremamente importante se você quer realizar qualquer coisa no mundo, mas isso é exatamente o contrário daquilo que o amor exige."
Delaney fez uma careta. Pude ver que ele não gostava da palavra exige. "Eu tenho fraquezas, como todo mundo", respondeu. "O que quer que eu faça - ir por aí mostrando como sou vulnerável, até que alguma mulher tenha pena de mim?"
"Você está exagerando porque realmente detesta a idéia", repliquei. "Não, você não precisa atrair a piedade. O que estou tentando dizer é que a vida "normal" exige que todos pareçam o mais fortes possível, e que essa tática, que pode funcionar em outras áreas, fracassa miseravelmente na questão do amor."
Como a maioria das pessoas, Delaney nunca havia pensado em como seu mundo interior fora construído, mas todos nós criamos divisões psicológicas como meio de sobrevivência.
"Você pensa que merece ser amado?", perguntei a Delaney.
"Meu Deus, que pergunta!", ele deixou escapar. "Não é nada em que eu fique pensando. Eu simplesmente quero me casar, sabe, como tudo mundo."
"Essa pergunta chocaria muitas pessoas, falei, "mas por quê? É embaraçoso achar que não se é digno de amor? O desconforto surge porque o amor pode parecer pessoal demais, até mesmo para nós mesmos; ele toca nos compartimentos onde nossa auto-imagem negativa é armazenada. Infelizmente, apaixonar-se significa entrar aí - é isso que o amor exige."
O verdadeiro amor é mais perigoso do que a maioria das pessoas está disposta a admitir. Ele causa o mesmo desconforto que os sonhos onde você descobre que está nu num lugar público. Se ficar apaixonado significasse entrar em todas as câmaras escuras da alma, nenhum de nós se arriscaria. Por outro lado, amar outra pessoa, envolve abrir todo o seu ser. O que torna o risco possível é o ingrediente do espírito.
O espírito é o verdadeiro você, além de todas as divisões entre bom e mau, desejável e indesejável, digno de amor e indigno. O amor expõe essa realidade, e é por isso que apaixonar-se é um estado abençoado. Para muitas pessoas este será o único estado que conhecerão na vida.
Os tons espirituais do amor romântico são inconfundíveis. Primeiro existe uma tremenda abertura emocional, uma liberação. Todo o seu ser flui na direção do amado, como se os dois compartilhassem os mesmos sentimentos, os mesmos gostos e aversões, quase a mesma respiração.
"Quando o amor provou pela primeira vez os lábios de um ser humano, Ele começou a cantar."
Harley.
Extraído do livro " O Caminho para o Amor", autor: Deepak Chopra
Na ausência do Amor
A palavra amor se aplica a tantas situações - desde a afeição íntima até o abuso, da dependência ao controle, da luxúria ao êxtase - que perguntar se alguém se sente amado não é confiável.
Elas sentem-se entorpecidas e traumatizadas
Uma vez que tenha chegado à plenitude, um amor baseado no espírito não tem medo de ser ferido. As forma imperfeitas de amor são muito mais vulneráveis. Quase todo mundo já pediu amor e recebeu rejeição no lugar dele.
Levamos nossas frágeis auto-imagens para situações em que elas foram surradas, em que a esperança morreu e nossa pior imaginação tornou-se verdade.
O efeito da rejeição, fracasso, humilhação e outros traumas é entorpecer os sentimentos da pessoa. O amor requer sensibilidade; precisa de abertura. O que quer que lhe tenha entorpecido faz com que seja muito mais difícil você sentir o amor. Portanto, as pessoas que estão entorpecidas no nível emocional não podem viver suas histórias de amor.
Elas sentem-se valorizadas pelo que fazem, e não por quem são
Valorizar a si mesmo é amar a si mesmo. É realmente daqui que vem seu amor pelos outros. O valor é como dinheiro que você pode tirar de uma conta de banco — se você se valoriza bastante, realmente tem algo para dar aos outros. Se você não se valoriza, não tem nada para usar.
Então, o que há para valorizar? Se você olha para si mesmo e pergunta “o que outra pessoa amaria em mim?" a única resposta duradoura é "a mim mesmo". As únicas pessoas que podem dar essa resposta colocam o valor no que elas são, e não no que elas fazem.
Se valorizamos a nós mesmos pelo que fazemos por realizações, boas ações, aceitação social — a finalidade de nosso amor fica limitada. As pessoas que se valorizam quase inteiramente pelo que fazem não terão histórias de amor próprias.
Elas vivem com crenças distorcidas
Nós sempre vemos os outros à luz de nossas crenças; nós sempre nos sentimos vistos à luz das crenças deles. Conheço pessoas que entram numa sala cheia de estranhos e acreditam que uma onda de hostilidade os saúda.
Outras entram numa sala e imediatamente sentem-se bem-vindas. A diferença é inteiramente devido à percepção, já que esse julgamento vem antes de qualquer evidência externa.
Eu diria que as primeiras pessoas acreditam que não são queridas nesse mundo, enquanto o outro grupo acha o contrário.
Qualquer crença que ataca nossa habilidade de valorizarmos a nós mesmos é uma distorção. Na essência, a individualidade é da mais alta importância; merece amor sem exceção. As pessoas que não podem viver suas próprias histórias de amor guardam crenças distorcidas que disfarçam a realidade de seu infinito valor.
Elas fracassaram no amor e estão cansadas demais para tentar novamente.
Quando você está diante de um empreendimento fracassado, é natural que desista eventualmente. Quando éramos mais jovens todos nós poderíamos buscar o amor com uma certa quantidade de esperança e otimismo, apoiados pela energia - e é necessário energia para levar qualquer paixão adiante.
Esses fatores não se aplicam a todas as pessoas de uma só vez. Alguns deles se aplicam em algum grau a todos nós.
Mas certamente podemos perceber a!gumas causas subjacentes em ação - ignorância do caminho do amor, o modo como entramos nele, como o seguimos, até mesmo o que ele é.
Nossa visão de mundo materialista reduziu o amor a um fluxo desordenado de hormônios associado com fantasias psicológicas.
A verdade espiritual é muito diferente. Uma vez que os muros tenham caído, descobrimos que nosso problema real é que há amor demais à nossa volta, e não amor de menos.
O amor é eterno e ilimitado; somos nós que tiramos pequenos goles de seu infinito oceano. Rumi afirma esse mistério tão natural, mas tão secreto, com total simplicidade:
Olho para seu ser mais íntimo e vejo o Universo ainda incriado.
Na verdade, esta pessoa construiu uma barreira para trancar uma força que está sempre na maré cheia. Existir dentro do poder do amor pleno e ilimitado é assustador, a menos que se tenha seguido o caminho até o amor na completa devoção até o fim.
Harley.
Texto extraído do livro " O Caminho para o Amor", autor: Deepak Chopra
O Poder da entrega
Espiritualmente, nenhuma ação é mais importante do que a entrega. A entrega é o impulso mais terno do coração, agindo a partir do amor para dar o que quer que o amado deseje. A entrega é estar alerta para o que está acontecendo exatamente agora, sem impor expectativas do passado. A entrega é a fé no poder do amor de realizar qualquer coisa, até mesmo quando não se pode prever o resultado de uma situação.
Mas entregar-se ao ego de outra pessoa, mesmo que seja o ego de seu amor, não é um ato espiritual. Existe um significado mais profundo e místico para a entrega. No nível do ego, duas pessoas não podem deixar de querer a mesma coisa o tempo todo. O seu ego quer coisas materiais, conclusões previsíveis, continuidade, segurança e prerrogativa de estar certo quando os outros estão errados. Por definição, buscar essas metas leva a outra pessoa a se fechar, a menos que ela siga os "meus" planos ou que percebe que "eu" sou a pessoa importante aqui.
O seu espírito não está envolvido nessas preocupações. Ele quer ser, amor, liberdade e oportunidades criativas. Esse é um nível inteiramente novo de desejo, e quando você o alcança, pode partilhar a si mesmo com outra pessoa sem conflito. Essa partilha é o núcleo da entrega.
A maioria das pessoas é criada para buscar metas do ego, muitas vezes sem perguntas. A escolha de permanecer nesse nível está sempre aberta. Mas você também tem a escolha de seguir adiante até o plano do espírito, com suas metas bastante diferentes. O hiato entre o ego e o espírito é inevitável. Parece impossível fechar esse abismo, já que o espírito e o ego são opostos totais. Reuni-los é alcançado através da entrega, portanto, é a próxima fase da jornada do amor, que você adentra assim que escolhe estar num relacionamento.
A maioria das pessoas se encontra não no romance mas num relacionamento de longo termo, geralmente o casamento. Esta fase ocupa muito mais de nossa vida do que a paixão poderia fazer. Se apaixonar é uma breve abertura para o espírito, relacionamentos longos são o grande platô que vem em seguida - designaremos esse platô simplesmente por compromisso.
O compromisso é extremamente difícil para muitas pessoas e incontáveis motivos psicológicos foram dados para isso. Mas a dificuldade espiritual do compromisso é que joga o indivíduo diretamente no abismo entre o ego e o espírito. Cada pessoa leva para um casamento uma reunião complexa de necessidades do ego; o marido pode ser amoroso e gentil, mas seu ego exige que a vida se desdobre de acordo com certas expectativas e o mesmo pode ser verdade para a esposa. Um relacionamento baseado na necessidade não é amor. Ou os dois egos precisam viver numa trégua intranqüila ou devem encontrar outra maneira - a entrega.
Durante a fase anterior do romance, havia uma sensação de ter sido escolhido, como se uma força irresistível houvesse invadido seu coração, mas no relacionamento o caminho para o amor não é automático. É preciso escolher, dia a dia, permencer nele. Em vez de ver a entrega em termos de outra pessoa, devíamos chamá-la de entrega ao acaminho. Portanto, as compreensões que surgem num relacionamento dedicado são ligadas ao caminho:
Você está num caminho único criado entre você e seu (sua) amado (a).
Você descobre o caminho não pensando, sentindo ou fazendo, mas se entregando.
A entrega revela os impulsos do espírito por trás da máscara do ego.
O caminho para o amor usa o relacionamento para tirar você de seu senso limitado de "eu" e "meu" para uma identidade expandida - esse é o crescimento do eu pra o Eu.
Harley.
Extraído do Livro "O Caminho para o Amor", autor: Deepak Chopra
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Ego- parasita da mente
sexta-feira, 2 de julho de 2010
O Despertar da Consciência
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Como transcender o ego?
O que é o Ego afinal?
É difícil falar sobre o ego e os problemas que causa pois ele nunca gosta que falem dele e das suas asneiras/disparates. Logo não é um tema que atraia muita gente a workshops, livros ou qualquer outra forma de transmissão de conhecimento.
Então, o que é o ego humano?
Presta atenção porque isto é muito simples... é que o problema está em experienciá-lo, não em compreendê-lo.
O ego humano é o nosso eu separado.
O nosso corpo, a nossa mente, as nossas emoções... aquilo que temos separado dos outros no mundo material.
É a noção de eu separado, aquilo com que te identificas em contraste com tudo o resto no mundo material.
O meu corpo, os meus pensamentos, o meu nome, as minhas emoções, as minhas necessidades, os meus desejos...
E o nosso amigo eu separado, ou ego, está sempre preocupado com ele próprio. Com o que lhe acontece, com como está.
Até aqui tudo bem. Ele tem de se proteger porque está sempre à mercê das 1001 coisas diferentes que se vão
Tudo o afecta, porque ele está lá.
E porque tudo o afecta, ele cedo começou a perceber que tem de evitar certas coisas e ter outras para se sentir bem. Logo tudo o que ele percepciona ou experiencia no mundo material interessa-lhe. Isto significa que lhe vai dar atenção e importância. Que se vai identificar com tudo o que surge... pois tudo o afecta, tudo cria e define algo nele.
Então a forma básica como ele funciona é um estado constante de protecção e uma espécie de preocupação com o seu estado, com como está, com como vai sair das situações, se vai perder algo, se vai sair prejudicado, se se vai sentir mal, etc.
O que se passa com este nosso amigo ego, é que vive em constante julgamento e crítica para se proteger. “Isto é bom ou mau?”
E como no fundo o ego, ou eu separado, está sempre “indefeso”, este estado de preocupação/julgamento está sempre ligado, a funcionar, e é utilizado em relação aos outros egos e eus separados.
O resultado é simples: constante comparação com os outros egos... e definição de valor próprio através dessa comparação.
Então qual é o problema?
São vários... o que torna a vida numa aventura e viagem bem “interessante” e “divertida”.
O primeiro deles todos é que o ego está sempre a sofrer. Se tudo o afecta, tudo o irá fazer sofrer. Porque se surgir e for mau, enquanto existir irá fazê-lo sofrer. Se surgir e for bom, quando desaparecer vai fazê-lo sofrer.
O outro problema, para além de viver em constante sofrimento sem ter escolha, é que para se preocupar com ele próprio... não se pode preocupar com os outros. E é aqui que as coisas começam a tornar-se muito “engraçadas”.
Para o ego estar bem, só pode tratar de si e ter-se a si próprio em consideração. Para ele é sempre o que ele ganha e obtém que interessa, pois é a única solução que tem para se aliviar do sofrimento constante em que vive. O grande problema surge quando numa das suas comparações com outro ego ele chega à conclusão que o outro está a obter mais que ele, ou que de alguma forma está melhor ou é superior a ele.
Aí começa a festa.
A grande festa que o ego tanto adora. Que é tentar mandar abaixo os outros e prejudicá-los para se sentir bem ou melhor consigo próprio.
Este estado de não querer saber dos outros expressa-se essencialmente de duas formas: ou o ego quer obter algo de alguém e por isso faz tudo o que achar que pode resultar não querendo saber de como a outra pessoa se sente ou fica, e vai usar desonestidade, manipulação e outras coisas fantásticas do género...
Ou ao se aperceber que alguém está melhor que ele ou é superior a ele, vai tentar prejudicá-lo, mandá-lo abaixo, ou de alguma forma destruir o seu bem estar e sucesso.
É óbvio que quando estas duas expressões tomam proporções grandes, temos todo o tipo de crimes, injustiças, traições, abusos, violência, guerras, conflitos, etc, etc.
Porque para o ego funciona assim:
Bem, uma forma um pouco limitada e primitiva de viver mas hey, é o nosso amigo ego humano =)
Tanto se prejudica a si próprio como aos outros, é a causa de todo o sofrimento humano.
Agora vem a parte difícil de compreender. É que não há nada de errado com o ego humano e a sua existência. Para quem começa a compreender este fenómeno do ego e as suas consequências negativas, surge logo um ódio em relação a ele e um desejo de o criticar severamente e eliminar. O engraçado desta reacção é que nada mais é do que o próprio ego a compreender a sua existência e a mandar bocas a si próprio.
Então se não há nada de errado no ego humano, o que se faz?
O problema não está na existência do ego humano, está no seu controlo sobre nós e na nossa identificação com ele. Transcender oego não significa eliminá-lo, significa vermo-nos livres do seu controlo. Ele continua lá, e devemos não só transcendê-lo como também fazê-lo evoluir e torná-lo saudável.
E é isto. Agora estás livre de todo o sofrimento humano e és verdadeiramente Feliz.
Hã? Como? Ainda não?? Então mas eu já expliquei a cena...
Era fixe que fosse assim tão simples, saber e pronto, já está. Mas não é... até porque saber algo, ter a informação dentro da cabeça e pensar nela, continua a ser uma experiência do ego.
Os meus pensamentos, lembras-te?
Isso é o que te vou explicar nos próximos posts. Há uma solução e todos estão à altura de a usar. Se há algo que não ajuda absolutamente ninguém é dar à actividade de transcender o ego uma aura de “algo quase impossível que apenas 2 ou 3 seres humanos conseguem”. Isso não é verdade, todos temos em nós o que precisamos para transcender o ego e fazê-lo evoluir. É preciso é entrar em acção, e estar pronto para muitos desafios a sério. Como eu já disse, relativamente ao ego é quando a evolução humana se torna menos atraente, pois o processo não é nada fácil nem rápido. Mas para o ser humano que quer de facto subir de nível de consciência e contribuir para o Todo, este é um trabalho sério de evolução que tem mesmo de ser feito.
Agora, lá porque eu estou aqui a falar disto não quer dizer que seja porque sou um guru iluminado e porque já transcendi o meu egocom uma perna atrás das costas, e só estou disponível ou para quem me pagar milhares e milhares de euros, ou para quem conseguir descobrir a gruta onde vivo afastado do mundo e da humanidade ;)
Obviamente que continuo o meu caminho, aqui não há gurus, mestres nem campeões... eu apenas partilho aquilo que tem feito a diferença na minha vida. E se eu nunca experienciei algo, então também não falo sobre isso aqui.
E se há algo que eu tenho experienciado, é uma cada vez mais liberdade relativamente ao meu ego, e uma cada vez maior Compaixão e paz interior, independentemente das pessoas e das situações.
Hoje vou ficar por aqui. Foi apenas uma breve introdução ao ego humano, nos próximos posts vou entrar em mais pormenores, casos concretos, e dar uma visão mais prática e realista.
Isso é o que te vou explicar nos próximos posts. Há uma solução e todos estão à altura de a usar. Se há algo que não ajuda absolutamente ninguém é dar à actividade de transcender o ego uma aura de “algo quase impossível que apenas 2 ou 3 seres humanos conseguem”. Isso não é verdade, todos temos em nós o que precisamos para transcender o ego e fazê-lo evoluir. É preciso é entrar em acção, e estar pronto para muitos desafios a sério. Como eu já disse, relativamente ao ego é quando a evolução humana se torna menos atraente, pois o processo não é nada fácil nem rápido. Mas para o ser humano que quer de facto subir de nível de consciência e contribuir para o Todo, este é um trabalho sério de evolução que tem mesmo de ser feito.
Agora, lá porque eu estou aqui a falar disto não quer dizer que seja porque sou um guru iluminado e porque já transcendi o meu egocom uma perna atrás das costas, e só estou disponível ou para quem me pagar milhares e milhares de euros, ou para quem conseguir descobrir a gruta onde vivo afastado do mundo e da humanidade ;)
Obviamente que continuo o meu caminho, aqui não há gurus, mestres nem campeões... eu apenas partilho aquilo que tem feito a diferença na minha vida. E se eu nunca experienciei algo, então também não falo sobre isso aqui.
E se há algo que eu tenho experienciado, é uma cada vez mais liberdade relativamente ao meu ego, e uma cada vez maior Compaixão e paz interior, independentemente das pessoas e das situações.
Hoje vou ficar por aqui.
O ego e os relacionamentos amorosos
Esta simples, muito comum e fácil de compreender. Ciúmes é um fenómeno que ocorre quando determinado ego se apercebe que outro ego está a obter atenção de alguém de quem ele deseja obter atenção. Por exemplo, um homem conhece uma mulher e anda a sair com ela. A certa altura ele sabe que ela anda a sair com outros homens, e apesar de não terem nada um com o outro, ele fica com ciúmes. Ele não gosta que ela ande a sair com outros homens, porque enquanto ela anda a sair com outros homens, está-lhes a dar atenção/validação. Atenção/validação essa que poderia lhe estar a dar caso não estivesse com eles. O ego vê então o outro como um obstáculo e inimigo a abater, e por causa ciúmes o ego é capaz de tudo. Ele não sente que está a ser o especial, e por isso sente-se inferiorizado, e não gosta. E vai fazer tudo o que poder para se ver livre disso, e mudar essa realidade.
Esteja numa relação com alguém ou não, o ego vai sempre sentir ciúmes quando a pessoa de quem ele quer obter atenção/validação, a está a dar a outra pessoa qualquer. O que o ego não consegue perceber é que ninguém lhe tem de dar atenção especial e exclusiva. Ninguém é responsável por lhe aliviar o vazio interior e a baixa auto-estima. Ele é. Somos nós próprios que temos de transcender a nossa necessidade de obter atenção/validação, de sermos aceites. Os outros têm todo o direito e liberdade de não o fazer, e de estar com quem bem entenderem. De darem a atenção a quem quiserem. Principalmente se não estão numa relação íntima com ninguém. Caso estejam, a questão não é que não estão a dar atenção especial ao ego e a estão a dar a outra pessoa, e este tem de arranjar uma solução para só lha darem a ele. A questão é perceber que essa pessoa pode não ser íntegra e de confiança e acabar a relação com ela. Não pelo que não se está a obter dela, mas por quem ela se está a revelar ser. Se ela de facto está numa relação íntima com alguém e anda a conhecer pessoas do sexo oposto e a sair com elas, muito provavelmente não é o tipo certo de pessoa.Ciúmes destroem relações e são sempre desnecessários. Não são uma prova de que se gosta da outra pessoa, são uma prova de que se precisa de obter algo da outra pessoa que ela está a dar a outra pessoa que não nós. São uma prova de que se tem um vazio interior que queremos que seja a outra pessoa a preencher, que é essa a sua responsabilidade. Mas não é. Nunca é. A responsabilidade é apenas nossa.
Há uma coisa que paralisa sempre o ego: o medo de ser rejeitado. O ego está sempre preocupado com o que os outros pensam dele e de como as coisas vão correr. Ele precisa de resultados, reacções e opiniões positivas para se sentir bem com ele próprio, pois constrói a sua identidade através do que acontece no mundo material. Se for bom ele acha-se o maior e melhor que os outros, e sente-se bem. Se for mau, ele vai-se abaixo, sente-se triste ou furioso, e procura ver-se livre da causa dessas emoções negativas.
Quando um ego vê alguém do sexo oposto por quem se sente atraído, ele fica paralisado pois tem medo dessa pessoa não o aceitar. Pois para ele não ser aceite é ser fraco e inferior, é uma prova do seu baixo valor. Quem é controlado pelo seu ego nunca conhece lá muitas pessoas do sexo oposto, principalmente do tipo que mais deseja, pois é sempre bloqueado por este medo e nada faz.
Ou então só conhece aqueles que tem a certeza que o vão aceitar, pois aí é seguro.
Em relação a conhecer pessoas o ego arranja duas “soluções”:
1. Detectar demonstrações de interesse.
Esta é clássica. Como o ego tem medo de ser rejeitado, ele procura tudo aquilo que lhe possa garantir que não vai ser rejeitado. Ele procura perceber se a outra pessoa está interessada, se é seguro ir lá. O ego só se mete em jogos que sabe que vai ganhar. Se fosse um clube de futebol iria apenas jogar contra as equipas teoricamente muito mais fracas. Ridículo. É um sistema de defesa que vem de fraqueza. Da fraqueza de não saber lidar com a rejeição, por isso procura evitá-la ao máximo. Portanto o ego adora analisar todos os sinais que possa para perceber se vai ser seguro ou não. Se vai ser aceite e validado ou não. E ele precisa disso. Outra coisa que ele gosta muito de fazer é depois de ser rejeitado tentar dar a volta à situação. Ele não consegue mesmo viver sabendo que houve alguém que não gostou dele e não o quis conhecer, ou falar com ele.
2. Manipulação
O medo de ser rejeitado faz tanto o ego tentar perceber se é seguro lá ir falar, perceber através da interpretação de sinais se vai ser aceite ou não, como também tentar controlar a pessoa para evitar ser rejeitado. Aqui entram todos os truques, esquemas, desonestidade, falsidade e jogos do costume, nos quais vale tudo para ser aceite e não ser rejeitado. Nesta situação não há qualquer consideração pela outra pessoa, ela é vista como uma mera fonte de validação, atenção ou de prazer físico de quem se tem de sacar algo a todo o custo.
Nós não agradamos a todos, nem nunca iremos agradar a todos. As pessoas são diferentes umas das outras, e apenas atraimos o que somos. Haverão sempre pessoas que não gostarão de nós, seja porque razão for. Isso não significa que não prestamos e que não temos valor, apenas que somos diferentes delas. Claro que para conhecermos alguém temos de criar naturalmente desejo nessa pessoa, mas isso nada tem a ver com procurar sinais de interesse ou manipular. Tem a ver com evoluir socialmente, tornar-se naturalmente atraente, com desenvolver qualidades, adquirir uma compreensão profunda sobre essa actividade, etc. Mas isto não garante que não sejamos rejeitados, não garante que consigamos conhecer todas as pessoas que desejamos. Significa que temos a escolha, conseguimos fazer as coisas acontecer. Conseguimos ir lá falar, e quando a pessoa é compatível connosco, nós vamos conhecê-la. Quando não é, ela não irá querer falar connosco. Nesse momento haverá uma demonstração de incompatibilidade. Haverá uma “rejeição”. Mas neste nível de consciência acima do ego a rejeição tem outro significado (o certo), não nos afecta, não nos incomoda, não nos mete medo, não nos paralisa ou bloqueia, e não nos faz ter a necessidade de através de sinais ter a certeza que não vamos ser rejeitados, ou ter a necessidade de manipular e controlar para não sermos rejeitados e sermos aceites à força toda.
Rejeição é uma ferramenta preciosa de selecção consciente. Usa-a para teu benefício.
Outra comum e fácil de compreender. O ego trai pois só quer saber do que obtém, não quer saber dos outros. No momento em que trai, o ego só está a querer saber do prazer que está a obter, do que está a ganhar, e não está a querer saber do outro com quem tem uma relação. É uma clara manifestação de separação e da mentalidade “eu só quero verdadeiramente saber de mim, das minhas necessidades e desejos”. Zero compaixão. As pessoas que traem apenas estão a demonstrar como são, o seu nível de consciência, que vivem controladas pelo seu ego, e que uma relação com elas dá sempre no mesmo: traição.
Dos jogos fazem parte qualquer acto de manipulação ou tentativa de controlo. O ego precisa de sentir que é o melhor e é quem está a ganhar, logo precisa de fazer jogos. Jogos também o “safam” de ser rejeitado. Em vez de ter prazer em conhecer alguém, de ter interacções estimulantes, de se divertir com alguém e de contribuir para a vida de alguém, ele faz jogos para a outra pessoa andar atrás dele, a validá-lo. Faz-se de difícil, inacessível, distante, faz saudades, faz ciúmes, faz os famosos jogos da distância e das migalhas, não responde, procura tirar valor ao outro, é antipático, dar falsas esperanças, etc, etc. O ego adora sentir-se perseguido e desejado, contribuir é que está quieto. Anda ali a criar um mega trailer sobre si, quando depois vai-se a ver o filme e não é lá grande coisa. É a dinâmica dos trailers: “olha que eu sou muito bom, vem ver-me”. O flyer é bom, mas depois a festa é uma desgraça. Jogos são uma forma de se criar desejo artificial para se obter validação, mas aquele que faz jogos e manipula nunca tem na verdade nada de especial para oferecer, contribuir e partilhar. Vive à caça de validação, nada mais. Procura preencher um vazio interior, não tem verdadeira consideração pelos outros a não ser quando sente ou sabe que vai obter ou pode obter algo deles.
Para o ego humano a vida amorosa é uma oportunidade para se aliviar o vazio interior. Uma oportunidade para se OBTER, e não para se CONTRIBUIR. E nesta dinâmica de necessidade e carência surge um fenómeno chamado o negócio de validação. Isto é muito simples: um ego precisa de algo de outro ego, e ambos se apercebem disso. Então o 1º ego dá ao 2º ego aquilo que ele precisa, seja mais emocional (validação) ou físico (sexo), na condição do outro lhe dar aquilo de que precisa. É um “amor” condicional. “Eu preciso de validação/sexo e tu queres validação/sexo, logo eu dou-te validação/sexo e tu dás-me validação/sexo. Mas se não me dás validação/sexo também já não levas validação/sexo. Dá-se para se obter, e quando não se está a obter também não se dá. Nestas relações não se gosta do parceiro, mas sim do que se obtém dele. E as simpatias e elogios são uma mera reacção ao que se obtém dele, e não um genuíno fascínio por ele, pelo Ser que é. Pois se assim fosse dava-se mesmo quando não se recebia. Receber tornar-se-ía irrelevante, pois a relação seria vista como uma oportunidade para contribuir e partilhar, e não para satisfazer carências pessoais. O ego precisa de meter sempre algo aos bolsos, por isso quando ele controla dá sempre neste tipo de relações. Se for um negócio de validação ou de “amor” (atenção especial), a relação será de dependência e muito disfuncional, assombrada pela insegurança atroz constante de perder o outro (como se fosse um objecto comprado que de repente é propriedade de alguém). Quando é mais um negócio de prazer físico (“quero ter um orgasmo mas não sei ter uma ligação autêntica e profunda com outro ser humano, pois só quero saber de mim e do que obtenho”), temos uma relação fast-food, superficial, das curtes e dos meros encontros sexuais.
Estes são também simples. O ego precisa de atenção, logo quando ele não a está a obter, vai cobrá-la. Como só quer saber de si próprio, para ele os outros podem sempre dar-lhe atenção quando ele deseja. Podem e devem, e é a sua responsabilidade. Como se os outros não tivessem vida, como se os outros não tivessem o seu próprio caminho para percorrer e lições para aprender. Esta cobrança de atenção acontece tanto em relações como fora delas, mas mais especialmente nas relações negócio de validação. É quando um dos parceiros exige ao outro que este lhe dê atenção. “Devias ter-me telefonado”, “Não devias ir ter saído com os teus amigos. Foste sair com eles e não foste sair comigo”, “Nunca mais disseste nada”, “Nem sequer perguntaste como foi”, etc, etc. É quando um dos parceiros sente que o outro devia ter dado atenção e não deu. Devia ter-lhe aliviado o vazio interior e não aliviou.
Isto leva ao fenómeno das proibições.
Na sua essência, o ego vê a vida amorosa e o sexo oposto como uma oportunidade para satisfazer carências, desejos e necessidades pessoais, e não como uma oportunidade para partilhar algo e contribuir para a vida do outro, fazendo-o feliz. Não há nada de errado em satisfazer carências, desejos e necessidades pessoais em si, mas como o ego nunca tem o outro em consideração é sempre apenas uma questão de tempo até fazer algo que prejudique o outro e o faça sofrer. O ego claro também se prejudica a si próprio e causa sofrimento a si próprio, pois vive em constantes bloqueios, preocupações, problemas e medos desnecessários, que nunca o deixam criar e ter a vida amorosa extraordinária que deseja com o tipo de pessoa que deseja.